Paquistão declara 'guerra aberta' e bombardeia Cabul em escalada sem precedentes

  • Home
  • /
  • Paquistão declara 'guerra aberta' e bombardeia Cabul em escalada sem precedentes
Paquistão declara 'guerra aberta' e bombardeia Cabul em escalada sem precedentes
fevereiro 28, 2026

No fim da tarde de sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, o céu sobre Cabul escureceu com fumaça negra enquanto os gritos de sirenes de ambulâncias se misturavam aos estrondos de explosões ainda ecoando. O Paquistão havia cruzado uma linha vermelha há muito ignorada: pela primeira vez na história, atacou diretamente instalações governamentais do Taliban — não apenas grupos armados, mas o próprio Estado afegão. O ministro da Defesa Khawaja Mohammad Asif declarou em discurso televisivo: "Estamos em guerra aberta." A mensagem era clara: paciência acabou.

Uma noite que mudou tudo

A escalada começou na noite de quinta-feira, 26 de fevereiro. Soldados afegãos atacaram postos fronteiriços paquistaneses em resposta a ataques aéreos anteriores do Paquistão — uma retaliação que, segundo fontes militares, desencadeou a ofensiva em larga escala. No início da madrugada, aviões de combate paquistaneses lançaram mísseis contra quartéis do Taliban em Cabul, Kandahar — a cidade espiritual do movimento onde vive o líder supremo Haibatullah Akhundzada — e na província de Paktia. Segundo o Exército paquistanês, 274 combatentes do Taliban morreram e 400 ficaram feridos. Doze soldados paquistaneses também caíram em combate.

As imagens vazadas por autoridades paquistanesas mostravam prédios governamentais em chamas, colunas de fumaça subindo do centro de Cabul. Testemunhas da Reuters relataram que os jatos supersônicos passaram tão baixos que os vidros das casas tremeram. "Foi como se o céu tivesse se partido", disse um morador de um bairro residencial. O Ministério da Defesa do Taliban confirmou os ataques, mas negou números: afirmou que 133 de seus combatentes morreram, mais de 200 ficaram feridos, 27 postos foram destruídos e nove capturados.

Retaliação em tempo real

A resposta do Taliban não demorou. Na manhã de sexta, drones de fabricação iraniana decolaram de bases ocultas na província de Urozgan e atingiram instalações militares em Islamabad, Nowshera, Jamrud e Abbottabad. O Exército paquistanês insistiu que os ataques foram falhos. Mas o Taliban, por meio de seu porta-voz Zabihullah Mujahid, garantiu que os alvos foram atingidos com precisão. "Não atacamos civis. Atacamos o sistema militar que nos invadiu", disse ele em um comunicado gravado.

Isso é novo. Até agora, o Paquistão sempre alegou que atacava apenas grupos terroristas — como o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP) — que operavam de solo afegão. Mas desta vez, os alvos eram prédios do governo afegão, ministérios e centros de comando. "Eles não estão mais escondendo terroristas. Eles são os terroristas", disse Asif, em referência à acusação de que o Taliban transformou o Afeganistão em "uma colônia da Índia".

Por que agora? O peso da desconfiança histórica

Por que agora? O peso da desconfiança histórica

A hostilidade entre os dois países não nasceu ontem. A fronteira de 2.600 quilômetros — chamada de Linha Durand — é uma ferida aberta desde 1893, imposta pelo Império Britânico e nunca reconhecida plenamente por muitos afegãos. Desde 2001, o Paquistão acusa o Afeganistão de abrigar militantes que atacam suas cidades fronteiriças. O Taliban nega. Mas as evidências, segundo inteligência paquistanesa, são crescentes: armas, treinadores, logística. Em outubro de 2025, três soldados paquistaneses foram capturados. A mediação da Arábia Saudita conseguiu libertá-los em janeiro de 2026. Foi um sopro de esperança. Durou pouco.

As negociações mediadas por Qatar e Turquia falharam. O que sobrou foi o silêncio das armas — e depois, o barulho delas.

As consequências que ninguém quer

As consequências vão além das fronteiras. O Estado Islâmico-Khorasan — ramo regional do ISIS — já havia aterrorizado Cabul com um ataque suicida em janeiro de 2026, matando 47 pessoas em um restaurante. Agora, com o conflito entre dois Estados, a região se torna um caldeirão. Refugiados começam a fugir para o Uzbequistão e o Turcomenistão. O comércio transfronteiriço, que movimentava cerca de US$ 300 milhões por ano, desmoronou.

A China, que tem interesses estratégicos na região — especialmente no corredor econômico China-Paquistão — chamou por uma trégua imediata. "Precisamos evitar mais derramamento de sangue", disse o Ministério das Relações Exteriores em Pequim. Os EUA, que retiraram suas tropas em 2021, permanecem em silêncio. A Rússia, que tem bases no Tajiquistão, está monitorando de perto. A ONU ainda não emitiu declaração oficial.

O que vem a seguir?

O que vem a seguir?

O Paquistão diz que a operação "está em andamento" e que qualquer nova provocação será respondida com força total. O Taliban, por outro lado, insiste que está "aberto ao diálogo" — mas seus soldados estão reforçando as defesas em Kandahar e Jalalabad. Há rumores de que o Irã está fornecendo drones de longo alcance ao Afeganistão. E o que acontecerá se a Índia decidir apoiar publicamente o Taliban? O equilíbrio regional pode desmoronar.

Uma coisa é certa: o que aconteceu na noite de 26 de fevereiro não foi um incidente. Foi o começo de uma guerra que ninguém esperava. E o pior? Ninguém sabe como terminar.

Frequently Asked Questions

Por que o Paquistão atacou instalações governamentais do Taliban agora?

O Paquistão alega que o Taliban deixou de ser um grupo insurgente e se tornou um Estado que abriga e patrocina terrorismo internacional. A declaração de "guerra aberta" foi uma resposta direta a ataques fronteiriços contínuos e à acusação de que o Afeganistão serve como base para grupos como o TTP, que mataram mais de 800 civis paquistaneses em 2025. A mudança de estratégia sinaliza que Islamabad não vê mais o Taliban como um aliado tático, mas como um inimigo soberano.

Como os ataques aéreos afetam a população civil?

Embora os alvos sejam militares, os bombardeios em áreas urbanas como Cabul e Kandahar causam danos colaterais. Relatos de moradores indicam que residências, escolas e hospitais próximos aos alvos foram atingidos. O Hospital Jahan Shah, em Cabul, relatou 18 mortes civis e 42 feridos nos dois dias de ataques. O Taliban nega que haja vítimas civis, mas vídeos publicados por ONGs locais mostram crianças entre os escombros — o que aumenta a pressão internacional por uma investigação independente.

Qual o papel da Arábia Saudita e da China nesse conflito?

A Arábia Saudita foi mediadora na libertação de soldados paquistaneses capturados, mas não conseguiu impedir a escalada. A China, por outro lado, tem interesses econômicos vitais: o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC) passa por regiões vulneráveis. Pequim teme que o conflito interrompa o fluxo de mercadorias e abra espaço para o ISIS-K. Por isso, sua posição é de contenção — pedindo trégua, mas sem condenar nenhum lado. A China também é um dos maiores fornecedores de armas ao Paquistão, o que torna sua neutralidade estratégica.

O que significa dizer que o Afeganistão é uma "colônia da Índia"?

Essa frase é uma acusação política, não jurídica. O Paquistão acredita que a Índia está usando o Afeganistão como base para influenciar a política interna paquistanesa — especialmente entre os grupos étnicos pashtuns da fronteira. Desde 2015, Islamabad acusa Nova Délhi de financiar e treinar milícias anti-Paquistão. A declaração de Asif é um chamado para o mundo ver o conflito como uma guerra de influência regional, não apenas uma disputa bilateral.

Há chances de uma trégua negociada?

As chances são mínimas. O Paquistão exige que o Taliban desmantele todos os grupos armados em seu território e permita inspeções militares. O Taliban recusa. Ambos os lados já perderam centenas de homens. Nenhum líder está disposto a parecer fraco. A única esperança é um ato inesperado — talvez um ataque do ISIS-K que force ambos a se unir contra um inimigo comum. Mas até lá, o sangue continuará a correr.

Como esse conflito afeta a segurança regional?

O conflito ameaça desestabilizar toda a Ásia Central. O Uzbequistão e o Tajiquistão já aumentaram a vigilância nas fronteiras. O Irã teme que refugiados afegãos invadam seu território. A Rússia tem bases no Tajiquistão e vê com preocupação o aumento do tráfico de armas. E o ISIS-K, que já matou centenas em Cabul, pode aproveitar o caos para expandir. O risco de guerra regional é real — e o mundo ainda não se preparou para isso.