Vasco negocia venda da SAF para filho de dono da Crefisa

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Vasco negocia venda da SAF para filho de dono da Crefisa
março 26, 2026

A notícia que aqueceu o Morada Nova nesta segunda-feira não vem da arquibancada, mas dos gabinetes. O Vasco da Gama, um dos clubes mais tradicionais do Brasil, adiantou negociações para vender sua SAF (Sociedade Anônima do Futebol) para Marcos Faria Lamacchia, empresário e investidor. Aos 47 anos, ele é filho do fundador do Banco Crefisa e traz uma proposta que pode mudar a realidade financeira do Gigante da Colina imediatamente.

O movimento ocorre em meio a uma crise de caixa aguda no clube carioca. Segundo fontes próximas à diretoria, as conversas estão em fase avançada com foco na transferência de controle acionário. O presidente atual, Pedro Pedrinho, presidente do Vasco da Gama, confirmou em entrevista recente que há um investidor qualificado de olho no negócio. "Com o possível investidor, a negociação é simples de acontecer", disse ele em janeiro de 2026. A urgência é real: sem recursos externos por quase 18 meses, o clube precisa desesperadamente de novo aporte.

O Perfil do Novo Sócio: Família e Negócios

Marcos Faria Lamacchia não chega ao futebol como amador de esporte. Ele tem pedigree financeiro sólido. Fundou a gestora Blue Star em 2011 e já atuou na direção do próprio Banco Crefisa. Mas o detalhe que chama atenção no mundo do futebol brasileiro é o parentesco. Seu pai, José Roberto Lamacchia, é o grande nome por trás da instituição financeira. E aqui vem uma conexão inesperada: a mãe dele, Leila Pereira, é justamente a presidente do Palmeiras.

Essa relação familiar cria um cenário complexo, porém interessante. Por um lado, existe confiança mútua entre Pedrinho e a família Lamacchia. Por outro, há um histórico de rivalidade antiga entre os clubes nos gramados. A ironia é palpável: quem vai salvar o cofre do Vasco hoje está ligado, pelo DNA, à maior força administrativa do futebol paulista. O interesse de Marcos parece genuíno, pois ele acompanhou cada passo jurídico desde a saída da controladora anterior até a homologação do plano de recuperação judicial.

A Situação Patrimonial e os Riscos Jurídicos

A estrutura de propriedade do clube não é tão limpa quanto se imaginava. De cara, temos três blocos acionários dividindo a mesa:

  • 30%: Pertence ao clube associativo (o time tradicional).
  • 31%: Controlado pela 777 Partners, cujas ações agora são de responsabilidade da seguradora A-CAP.
  • 39%: Estão em disputa via arbitragem internacional.

O desafio aqui é técnico. Para vender a maioria, é preciso resolver esse bloco de 39%. Sem isso, qualquer acionista novo fica com mãos atadas. Pedrinho indicou que a solução deve vir junto com a entrada do dinheiro fresco. "Acho que vai acontecer com naturalidade quando entrar o investidor", explicou o mandatário. O plano é que a SAF seja comprada majoritariamente por Lamacchia, mantendo uma parte minoritária com a associação vascaína para preservar a identidade histórica.

Impacto Financeiro e Próximos Passos

Impacto Financeiro e Próximos Passos

O número mais importante dessa equação: mais de 2 bilhões de reais. É a meta de investimento projetada para cinco anos. Não é só pagar dívidas velhas; a ideia é estruturar o time e melhorar a infraestrutura da Rua Maracanã. Enquanto isso, o banco Crefisa já havia feito um empréstimo DIP (Debt-in-Possession) de 80 milhões de reais no final de 2025, recurso que deveria acabar em janeiro de 2026.

Agora, o futuro próximo exige novo capital de giro. Se o acordo não fechar rapidamente, o Vasco dependerá novamente de linhas de crédito emergenciais para cumprir obrigações salariais e operacionais. A assinatura de um memorando de entendimento (MOU) deve ocorrer nas próximas semanas. Isso formaliza a intenção de compra e permite que o clube comece a operar com o braço direito aberto para contratações sérias, algo que vinha sendo limitado pela escassez de verbas.

Perguntas Frequentes sobre a Venda da SAF

Perguntas Frequentes sobre a Venda da SAF

Frequently Asked Questions

O que é a SAF e por que ela é vendida?

A Sociedade Anônima do Futebol é uma estrutura legal criada para profissionalizar a gestão esportiva e atrair investimentos privados. Ela separa o patrimônio do associado do negócio mercantil. A venda acontece porque o clube precisa de capital imediato para quitar dívidas e financiar operações de mercado, algo difícil apenas com ingressos e camisas.

Qual a participação do Vasco associado na nova estrutura?

Segundo as informações atuais, a associação manterá cerca de 30% das ações da SAF. Isso garante que os torcedores continuem tendo voz institucional, mesmo que o controle acionário da operação de futebol passe para o investidor Lamacchia, que deve deter entre 70% e 90% do pacote.

Quais são os principais obstáculos para fechar o negócio?

O maior empecilho é a definição das 39% das ações que estão sob processo de arbitragem. Até essa disputa ser resolvida ou acordada judicialmente, a venda completa pode ficar travada. Além disso, há questões regulatórias na ANPD (Agência Nacional do Desporto) que exigem aprovação formal para mudança de controle.

Quando o dinheiro começará a chegar no clube?

Está previsto que um memorando de entendimento seja assinado nas próximas semanas, mas o fluxo significativo de recursos deve iniciar ao longo de 2026. O primeiro aporte crítico é necessário logo no início do ano para evitar calote na folha de pagamento e manutenção operacional.

A relação com o Palmeiras afeta a negociação?

Embora haja laços familiares através de Leila Pereira, não há impedimento jurídico para o negócio. Na prática, muitos clubes brasileiros têm investidores cruzados, então a influência direta de Leila Pereira sobre o Vasco seria limitada às regras de governança e ética corporativa aplicáveis a ambas as empresas.