
Derrota na véspera da decisão
Às vésperas de uma partida decisiva do time principal contra o Atlético, a equipe reserva do Godoy Cruz tropeçou: perdeu por 2 a 1 para o River Plate Reserva, em jogo do Primera LPF Reserves Clausura, disputado em 13 de agosto de 2025, às 21h (UTC). O placar doeu mais pelo momento do que pela diferença mínima. Era a chance de chegar com moral. Saiu como alerta.
O River abriu a contagem cedo. Aos 18 minutos, Bautista Dadín converteu pênalti e mudou o clima da partida. Com a vantagem, os visitantes controlaram melhor os espaços e reduziram riscos. No segundo tempo, Dadín voltou a aparecer aos 74, ampliando e deixando o cenário ainda mais pesado para os mendocinos. O Godoy só descontou no fim, aos 87, em um lance infeliz de Agustín Obregón, que marcou contra. Reação tardia, sem tempo para buscar o empate.
O resultado derruba ainda mais o moral de um grupo que já vinha oscilando. Na tabela, o Godoy Cruz Reserva aparece em 14º lugar no Clausura, enquanto o River Plate Reserva ocupa a 5ª posição e dá sinais de estrutura e profundidade. A diferença não é apenas numérica: ela denuncia estágios distintos de desenvolvimento e execução.
O que chama atenção é como o River soube transformar momentos-chave em vantagem. Um pênalti bem batido, uma chegada precisa no segundo tempo e gestão de ritmo. Do outro lado, o Godoy alternou boas intenções com falhas de execução — especialmente no último passe e nas coberturas. O gol contra no final foi a imagem do desequilíbrio: ansiedade, pressa e pouca clareza na tomada de decisão.
Em jogos de reservas, o resultado nem sempre é o foco único. Mas, nesse caso, o timing pesa. A derrota vem justamente quando a comissão técnica precisaria de sinais positivos para embasar escolhas para o elenco principal. Como segurar a onda agora? Cortar minutos de quem vinha pedindo passagem? Ou dobrar a aposta e dar confiança para que a resposta venha em campo?

O que muda para o time principal e os ajustes pedidos pelo jogo
O impacto mais imediato está na avaliação individual. O desempenho nas reservas costuma balizar quem fica à disposição do técnico do time principal para compor banco, fechar treino tático e até entrar no fim de jogo. Depois desse 2 a 1, a régua muda: consistência e leitura de jogo ganham peso extra, acima de lampejos.
Existe também o fator físico. Partidas de reserva na mesma semana do profissional exigem cuidado com carga. Quem jogou 90 minutos agora talvez perca espaço na lista do jogo contra o Atlético, não por punição, mas por gestão de desgaste. A comissão técnica terá de equilibrar ritmo e frescor, especialmente em posições onde a intensidade é vital.
Taticamente, a partida deixou alguns recados claros:
- Transições defensivas: o time sofreu quando perdeu a bola em zonas centrais. Faltou a primeira pressão organizada.
- Bolas paradas: o pênalti mudou a história. Erros de tempo e posicionamento viraram chances para o rival.
- Concentração no segundo tempo: o 2º gol do River saiu em momento de instabilidade. Recomeçar ligado após o intervalo é ponto de atenção.
- Último terço: a equipe produziu pouco com a bola. Houve cruzamentos apressados e pouca infiltração entre linhas.
- Gestão emocional: o gol contra aos 87 expôs afobação. Cabeça fria para fechar jogo é requisito, mesmo perdendo.
Para o confronto do profissional contra o Atlético, o recado é simples: minimizar riscos. O jogo da reserva mostrou que, quando o adversário impõe intensidade e acerta detalhes, o Godoy sofre. Ajustar as coberturas laterais, encurtar linhas e evitar faltas desnecessárias perto da área são caminhos práticos para não repetir a história.
Por outro lado, nem tudo é terra arrasada. A reta final trouxe insistência e ocupação do campo ofensivo, ainda que de forma desorganizada. Isso indica que, com ajustes, há entrega e perna para competir até o fim. O passo seguinte é canalizar essa energia com plano claro: quem pressiona, quem guarda posição, quem quebra a linha na bola longa.
O contexto da tabela explica parte da urgência. O River, em 5º, mostra um ambiente estruturado nas reservas, com reposição e padrão de jogo reconhecível. O Godoy, em 14º, precisa transformar o Clausura em laboratório eficiente: menos troca de peças aleatória, mais sequência para quem dá retorno. Em campeonatos de desenvolvimento, coerência de processo vale tanto quanto ponto somado.
Há ainda o aspecto psicológico na semana pré-decisão. A derrota da reserva pode contaminar o clima? Pode, se não houver gestão. Aqui entra o papel da liderança do vestiário: separar processos, blindar o elenco principal e, ao mesmo tempo, cobrar quem está na base do elenco. Conversas curtas, objetivos claros e treinos focados costumam mudar a chave mais rápido do que longas preleções.
O River leva do jogo a confirmação do que a tabela já mostrava: elenco jovem que executa com calma, aproveita erros e não desperdiça ao encontrar brechas. Duas chegadas capitais, dois gols de Dadín, e a segurança de quem conhece o roteiro. Não foi uma avalanche, foi precisão.
Do lado mendocino, a comissão técnica tem um dia a dia apertado pela frente. Rever lanças de bola parada, ajustar gatilhos de pressão, calibrar a linha defensiva para não afundar demais após perder a posse. E, principalmente, decidir quais jogadores sustentarão minutos com o profissional, apesar do tropeço. Muitas vezes, a melhor resposta vem justamente quando a confiança não oscila ao sabor do último placar.
No fim, a fotografia da noite diz muito do momento: o River capitalizou cedo e administrou; o Godoy correu atrás e pagou caro por detalhes. O Clausura de Reservas segue vivo, e a temporada ainda oferece tempo para corrigir rota. A pergunta que fica, às portas do duelo contra o Atlético, é simples: o time principal vai aprender com o recado dado pela base? A resposta chega no próximo apito inicial.
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